A felicidade dos mansos



"Bem-aventurados os mansos, pois eles receberão a terra por herança".
Mateus 5:5


Que felicidade podemos encontrar no comportamento manso? 

A promessa para os mansos no sermão do monte é que herdarão a terra.

A ideia de “herdar a terra” faz uma alusão aqui às batalhas muitas vezes travadas nos tempos bíblicos por território. Jesus usa essa figura de linguagem para garantir aos mansos que estes obteriam êxito nos embates da vida. (Salmo 37.1-11)

É uma proposta no mínimo inusitada para nós que costumamos ver os vencedores como aqueles que estão dispostos a lutar. Porque em nossa percepção o manso não deseja lutar. Mas não é bem assim.

Essa mansidão não é apatia.

Mas um manso não é aquela pessoa que se isenta de todo tipo de conflito?

Não necessariamente, manso pode ser aquele que luta sem perder o controle emocional, sem se render à ira descontrolada. "Quando vocês ficarem irados, não pequem". Apaziguem a sua ira antes que o sol se ponha”. (Efésios 4:26)

O manso tem uma temperança que é capaz de aceitar o conflito sem que este altere seu equilíbrio emocional, Jesus era assim e deseja que seus seguidores também sejam. 

Mesmo quando atacou os vendilhões do templo Jesus não perdeu sua mansidão, isso comprovamos porque sua atitude foi pesada antes, não foi uma explosão momentânea. Jesus construiu mansamente o chicote que iria usar.

“No pátio do templo viu alguns vendendo bois, ovelhas e pombas, e outros assentados diante de mesas, trocando dinheiro.
Então ele fez um chicote de cordas e expulsou todos do templo, bem como as ovelhas e os bois; espalhou as moedas dos cambistas e virou as suas mesas”. (
João 2:14,15)

Entendam, Ele agiu com a aspereza que o momento exigia, mas logo após constatamos que Ele continuou o mesmo homem manso, como Pedro pôde testemunhar:

“Quando insultado, não revidava; quando sofria, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga com justiça”. (1 Pedro 2:23)

Falamos no sermão anterior da tentativa falha de querermos usar o sermão do monte como regra de prática cristã. Vemos que essa mansidão aqui tratada só pode ser trabalhada em nós pelo Espírito Santo. (Gl 5.23)

Não temos a mínima condição de por nossas próprias forças alcançar tal nível de mansidão que nos permita ter um equilíbrio que nos faça, ainda que irados, permanecermos no controle das emoções. Ou seja, ter raiva e conscientemente agir sem destempero excessivo ou descontrole.
Essa mansidão é, portanto:  

Fruto da fé de quem descansa na soberania de Deus.

Descansar na soberania de Deus significa não apenas manter a tranquilidade nos conflitos, mas não abrir mão de nenhum conflito o qual o Senhor nos colocar.

Se Deus é soberano Ele nos coloca no olho da tempestade com um propósito para tal. Os conflitos que enfrentamos tendem à transformar nossas vidas, ou a daqueles que estão envolvidos no conflito conosco.

O manso não foge das batalhas, antes luta com paciência, que é um dos frutos da mansidão.

O manso não se importa com quanto tempo terá que lutar, ele crê que Deus está de alguma forma usando este meio para produzir algo para a sua glória:

“E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, E a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”. (Romanos 5:3-5)  

Deus não usa as tribulações para nos tentar à pecar (Tg 1.13), mas antes, para nos tornar mansos, dependentes dele. Para que assim saibamos que podemos descansar naquele que sabe até quantos fios de cabelo temos na cabeça (Lucas 12.7).

O manso herda a terra porque suas lutas não são egoístas, elas estão relacionadas ao zelo pela glória de Deus. 

O manso não escolhe suas lutas, Ele é introduzido nelas pelo Senhor. Isso porque o manso não tem nenhuma luta pessoal, seus direitos não contam, seu zelo é pelo Senhor e sua Palavra.

O manso, portanto, só se preocupa com sua reputação se ela de alguma forma desonrar ao Senhor seu Deus.

O manso não luta por territórios, poder, honra. Ele luta para que seu Deus seja glorificado. Assim como foi com Jesus, é o zelo por Deus que o consome.

Por isso o manso herdará a terra, porque o Senhor dos Exércitos não perde batalhas, e como o manso está do lado de Deus, é lógico que não poderá ser frustrado em suas pelejas.

Ou seja, o Manso herdará a terra porque suas lutas são as de Deus, e Deus não tem adversários que não estejam debaixo dos seus pés.

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Sobre João Eduardo Cruz

Não sou bem um escritor, sou um pastor que escreve.

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