Estamos vivos. E daí?

Todos os dias após o almoço eu cumpro um ritual sagrado, tiro um cochilo. É a famosa “siesta”. Descobri recentemente pesquisando na internet que essa prática acontece tanto em partes do sul da Europa e na América Latina bem como na China, Taiwan, Filipinas, Índia, Oriente Médio, Africa. A palavra "siesta" vem da hora sexta romana, que no caso correspondia ao meio dia.

Bem, fato é que tal ritual tem me feito muito bem todos esses anos, serve como um restaurador de forças antes de retomar as atividades. Costumo colocar o despertador para não passar de 30 minutos de cochilo.

Esses dias, porém, algo comum aconteceu, tive um sonho em um desses momentos - não é raro que sonhe nesses cochilos - mas este foi bem mais, digamos, tenso.

Sonhei que havia acordado e que não podia me mover, meu corpo estava paralisado e de alguma forma – não me pergunte como eu sabia disso, são coisas peculiares dos sonhos termos informações extras – eu percebia que estava morrendo. Eu tocava meu corpo e sentia que estava me despedindo dele. Não me recordo de ter ficado triste, mas isso me gerou, no sonho, um momento de reverência e temor. Minha alma estava se despedindo da minha morada terrestre e eu sabia que quem havia dado essa ordem suprema era o próprio Deus.

Acordei não assustado, mas pensativo, demorei a sair da cama. Coloquei a mão sobre o peito, senti meu coração bater, vi o subir e descer do meu tórax indicando que havia ar em meus pulmões, naquele instante fiz uma oração de gratidão, eu estava vivo e tinha a consciência que isso só era possível por permissão divina.

Pouco tempo depois lendo a Bíblia vi as palavras de Eliú, um dos amigos de Jó, o mais jovem e sábio dentre os que acompanhavam o seu sofrimento. Ele fala sobre o fato de Deus poupar a vida de Jó: “Se fosse intenção dele (Deus), e de fato retirasse o seu espírito e o seu sopro, a humanidade pereceria toda de uma vez, e o homem voltaria ao pó”. (Jó 34:14,15) É Deus que nos permite estar vivos.

Se é Deus que permite que vivamos, eu poderia sugerir imediatamente que você fosse grato por isso, pois a vida é maravilhosa, estar vivo é uma dádiva etc e etc.

No entanto eu sei que muitos estão insatisfeitos com suas existências. A decepção consigo mesmos, com os fracassos, e as expectativas frustradas fizeram da vida dessas pessoas uma imensa dor que não encontra alivio sob perspectiva alguma. Para muitos destes, abreviar a vida seria uma benção que proporcionaria enfim um suposto alivio e descanso.

No entanto, quando cremos que Deus quer que vivamos, há que se descobrir o porquê disso.

Tenho falado com muitas pessoas em como lidei com a depressão durante grande parte da minha vida, e uma coisa que sempre repito é que quando passei a crer que Deus estava no comando da minha vida, me frustrei bastante por achar que Ele não estava fazendo um bom trabalho.

Foi então que pela leitura da Bíblia descobri que esse mesmo Deus o qual eu taxava de negligente, na verdade, me amava. Havia uma inegável contradição aqui, se minha angústia provinha dele, como Ele podia me amar?

A constatação de seu amor era inegável para mim diante do fato de que sua promessa de salvação em Cristo Jesus tinha sido cumprida. Ao ler e compreender o amor de Jesus manifestado na cruz eu não podia mais afirmar que Deus não se importava comigo, caso contrário eu teria perecido em meus pecados, mas Ele enviou seu filho para me salvar e por me amar (João 3.16).

Restou então uma única alternativa lógica, se Ele me ama, eu não estava sozinho na dor. Afinal, uma das características do amor é o desejo de proximidade do ser amado. Ele estava comigo, me mantendo vivo, sua presença era a garantia de que a luta não era solitária e inglória. Pude então reconhecer sua mão me tocando através de pessoas que me cercavam, de situações consoladoras proporcionadas por Ele, e em momentos de oração onde minha alma se derramava em lágrimas e se erguia em uma antes improvável gratidão.


Estar vivo é então um privilégio que Deus nos dá que se torna mais significativo ainda quando estamos em sua companhia.  
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Sobre Eduardo Cruz

Não sou bem um escritor, sou um pastor que escreve.

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