Muitas razões e um por quê. A geração que quer morrer.

“Já estou cheio de me sentir vazio” cantava um dos ícones da geração 80-90 o compositor e líder da Legião Urbana, Renato Russo. Talvez ele jamais imaginasse que tal frase seria perfeita para descrever a nossa atual geração de adolescentes e jovens.

Esta é a geração que tem as maiores comodidades possíveis em termos tecnológicos dos últimos tempos. Podem ver centenas de filmes no celular, tablete, computador. Podem se expressar por vídeos, redes sociais, blogs. São tantas distrações, tantas diversões, e tão pouca vida.

Tudo isso gera uma exagerada exposição que termina por fazer com que jovens e adolescentes recebam uma carga extra daquilo que é muito comum nessa idade, o desejo da autoafirmação.  

Por esta busca por afirmação, jovens e adolescentes do nosso tempo sofrem com a constante comparação, resultado da vida inteiramente exposta virtualmente, isso aliado ao desejo de afeto - na maioria das vezes negado pelos pais - que envolvidos em suas vidas adultas, consideram o mundo dos filhos à parte de suas realidades. Eis aqui dois problemas básicos que podem gerar a depressão e o desejo suicida, a personalidade confusa e a carência de afetividade familiar.

Depois que o “Jogo da Baleia” e a série “13 Reasons Why” viraram pauta das conversas e debates nas redes sociais e afins, vários “especialistas” deram opiniões diversas, mas a que mais prevaleceu foi a que tratava a condição do adolescente/jovem depressivo como “frescura”.

Esse é outro ponto que é importante ressaltar, com essa nova forma de interagirmos uns com os outros, opiniões e equívocos tornaram-se fáceis de se propagar. Além é claro da falsa ideia de que a internet explica tudo. Isso faz com que um internauta leia vagamente sobre um assunto e se ache especialista no mesmo.

Sou apenas um pastor, não tenho nenhuma formação na área da psicologia, mas trago comigo a experiência pessoal da depressão que sofri a partir dos 14 anos de idade. Na época a exposição era mínima comparada a hoje, mas lembro que estava constantemente debaixo da cobrança pessoal de ser alguém que chamasse mais atenção, de fazer algo que me destacasse e me desse a condição de especial. Em minha época os pais não eram perfeitos, mas tinham mais tempo para velar pelos filhos, ainda que por vezes a cobrança mais atrapalhasse do que fortalecesse, mas, o fato do afeto vir junto fazia a diferença, e foi o que me sustentou e fez acreditar que eu era amado pelos meus pais apenas por existir.

Há solução para essa geração, e ela é urgente. Que os pais passem a assumir a responsabilidades que lhes convém diante de seus filhos:

Prover: “Eis aqui estou pronto para pela terceira vez ir ter convosco, e não vos serei pesado, pois que não busco o que é vosso, mas sim a vós: porque não devem os filhos entesourar para os pais, mas os pais para os filhos”. 2 Coríntios 12.14

Criar:E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor”. Efésios 6.4

“Vós, pais, não irriteis a vossos filhos, para que não percam o ânimo”. Colossenses 3.21

Supervisionar:Que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia. Os diáconos sejam maridos de uma só mulher, e governem bem a seus filhos e suas próprias casas”. 1 Timóteo 3.4, 12

Amar:Para que ensinem as mulheres novas a serem prudentes, a amarem seus maridos, a amarem seus filhos”. Tito 2.4

Corrigir: “Porque o SENHOR repreende aquele a quem ama, assim como o pai ao filho a quem quer bem”. Provérbios 3.12

Mas ainda que os pais não queiram cumprir seus papéis, aos nossos adolescentes e jovens ainda resta uma esperança. A de conhecer o amor de Deus revelado em Jesus, que torna imediatamente todos nós plenamente preenchidos de qualquer vazio, uma vez que nos vemos amados sem mérito algum.

Na verdade grande parte da tristeza passageira que se torna constante é uma falta de um sentido para a vida vazia que teimamos em encher de futilidades. Cristo vem e nos preenche de amor, perdão e graça, livrando-nos da culpa, faz-nos finalmente reconhecer que com Ele nada nos falta ou faltará.
Share on Google Plus

Sobre Eduardo Cruz

Não sou bem um escritor, sou um pastor que escreve.

0 comentários:

Postar um comentário