O caminho da ternura. Libertando-se da neurose religiosa.

Já traí. Já fui infiel. Com tudo aquilo que dizia acreditar. Com aquilo que cobrava dos outros. Que exigia. Que moralmente julgava como certo. Com o que minha fé professava. E você? Já praticou esse ato de traição e infidelidade contra si mesmo?

Nos agarramos à ilusão de um Céu onde o pecado ainda está atuando. 

Queremos ser moralmente perfeitos, não aceitamos nossa condição de busca incessante pela perfeição, queremos viver como se à tivéssemos alcançado, mesmo que o apóstolo Paulo nos tenha dito sobre isto: “Não que eu já tenha obtido tudo isso ou tenha sido aperfeiçoado, mas prossigo para alcançá-lo, pois para isso também fui alcançado por Cristo Jesus.
Irmãos, não penso que eu mesmo já o tenha alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante,
prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus.” Filipenses 3:12-14


Queremos que os outros sejam conforme imaginamos que somos, perfeitos. É nosso estigma de perfeição que nos faz medir os outros a partir dessa ilusão “Todos deveriam ser como eu, perfeitos”.

Desejamos que as pessoas que amamos possam ser merecedoras do amor que a elas dedicamos, um amor segundo imaginamos, perfeito. Sendo assim, é inadmissível que as pessoas que amamos sejam fracas o suficiente para falharem conosco depois de receber tão grande e perfeito amor.

Desejamos que as pessoas com as quais convivemos sejam agradáveis tanto quanto desejamos ser, desde que elas colaborem para isso. Ou seja, nossa condição de perfeição está ligada aos que perfeitamente se comportem na nossa convivência.

Somos os nossos próprios carrascos.

Nos iramos por achamos que estamos sempre com a razão. Cremos que nunca escolhemos o lado errado.

Somos moralistas socialmente e imorais na vida particular.

Assumimos a postura defensiva por acharmos que somos incompreendidos, ou injustiçados.

Queremos mudar as pessoas, na nossa concepção, para melhor, algo semelhante a nós.

Adquirimos a tendência a ser críticos de tudo, menos de si mesmos.

Nos frustramos pelos outros não verem o que achamos que está tão claro diante dos nossos olhos.

Aceitamos que temos uma superioridade espiritual pelo que fazemos mais do que pelo que somos.

Gastamos muito tempo encontrando justificativas para nossos constantes deslizes.

Com tudo isso vivemos uma confusão existencial, entre o que realmente somos e o que fingimos ser. Ninguém suporta por tanto tempo essa neurose.

O grande mandamento.

Não posso amar a Deus se tenho como fonte última de satisfação o meu ego, ou seja, sou deus.

Não posso amar o meu próximo se não amo o que sou, mas amo o personagem perfeito que criei. Assim só conceberei amar quem se assemelhar à esse personagem fictício que eu acredito ser.

O caminho da ternura.

Jesus nos ensinou o caminho da ternura o qual devemos percorrer primeiro para podermos assim experimentar do amor de Deus. Somos convidados a amar com esse mesmo amor. (I João 4.7)

O caminho da ternura é o caminho da misericórdia e da compaixão.

Precisamos aceitar – como Jesus aceitou - com misericórdia e compaixão, a nossa condição de pecadores, pessoas que estão em um processo continuo de transformação.

Somente ao aceitarmos nossa condição poderemos acolher os outros com a mesma misericórdia e compaixão com que Deus tem nos acolhido.

É preciso que aceitemos que estamos todos na mesma condição até que cheguemos ao final de nossas histórias nessa terra, quando então Jesus chamará para junto de si os seus separando o joio do trigo.

Percorrendo o caminho da ternura.

Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos.


1° Jesus veio ao mundo para nos dar uma experiência de vida que não teríamos se permanecêssemos em nossos pecados. Ou se fossemos julgados por Deus em nossos próprios méritos. Isto é graça.

Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados.


2° Deus nos ama não por reciprocidade de sentimento, mas porque decidiu nos amar.

Deus tomou a decisão de nos amar antes que pudéssemos lhe ser agradáveis.

Ele provou esse amor de uma forma prática, agindo em nosso favor.

Amados, se Deus assim nos amou, também nòs devemos amar uns aos outros.
Ninguém jamais viu a Deus; se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o seu amor.


3° A manifestação da presença de Deus em nossas vidas se dá quando nos permitirmos ser tomados por seu Espírito de maneira que amemos com o seu amor.

Assim quando amamos uns aos outros vemos Deus se revelando em nós;


Percebem o caminho da ternura? É esse caminho que somos chamados a percorrer até que encontremos a devida paz para nossas almas.
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Sobre Eduardo Cruz

Não sou bem um escritor, sou um pastor que escreve.

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