Sobre tragédias e catástrofes. Uma pergunta tão antiga quanto a resposta.

Algum tempo depois, Ben-Hadade, rei da Síria, mobilizou todo o seu exército e cercou Samaria.O cerco durou tanto e causou tamanha fome que uma cabeça de jumento chegou a valer oitenta peças de prata, e uma caneca de esterco de pomba, cinco peças de prata.Um dia, quando o rei de Israel inspecionava os muros da cidade, uma mulher gritou para ele: "Socorro, majestade! "O rei respondeu: "Se o Senhor não socorrê-la, como poderei ajudá-la? Acaso há trigo na eira ou vinho no lagar? "Contudo ele perguntou: "Qual é o problema? " Ela respondeu: "Esta mulher me disse: ‘Vamos comer o seu filho hoje, e amanhã comeremos o meu’.Então cozinhamos o meu filho e o comemos. No dia seguinte eu disse a ela que era a vez de comermos o seu filho, mas ela o havia escondido".Quando o rei ouviu as palavras da mulher, rasgou as próprias vestes. Como estava sobre os muros, o povo viu que ele estava usando pano de saco por baixo, junto ao corpo".2 Reis 6:24-30
Ler esse texto hoje em meu devocional hoje me trouxe de volta uma série de questionamentos acerca das tragédias, sejam elas naturais, ou como relatado no texto, resultado da guerra, da violência, da estupidez humana.

As tragédias nos acompanham desde que o mundo é mundo. O mais intrigante é que não conseguimos aceita-las como comuns. Já houve muita discussão sobre a existência de Deus à partir do prisma das catástrofes naturais ou tragédias executadas por mãos humanas. Aquela velha história, se Deus é poderoso para impedir o mal porque não o faz? Se não o faz não é poderoso. Se é poderoso e não o faz é negligente e mau.  A pergunta “Por que Deus permite?”, deveria ser feita não apenas quando acontecem as tragédias, mas também quando acontecem coisa maravilhosas. Por que Deus permite que coisas boas nos aconteçam ainda que não tenhamos feito nada por merecê-las? Por que Ele permite que sol e chuva venham sobre justos e injustos? Por que Ele permite que os maus experimentem das delícias do mundo na mesma proporção que os bons?

Talvez a resposta que encontraremos é que Deus a todos nós permitiu a vida. E o que fazemos dela nos fará entender que as tragédias em um mundo frágil e finito não podem ser evitadas, mas podem ser contornadas. A solidariedade, o amor, e a certeza de que somos parte de um todo, poderá nos trazer um entendimento de que somos responsáveis pela vida que nos foi dada e pelas vidas que nos cercam.

É difícil crer que Deus necessite de tragédias para nos ensinar, será mais fácil admitir que as tragédias são permitidas assim como nos foi permitida a vida, e elas, as tragédias, devem revelar o que de melhor poderá haver em nós quando aceitamos a fragilidade da existência bem como a necessidade de estarmos juntos para o que der e vier.
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Sobre Eduardo Cruz

Não sou bem um escritor, sou um pastor que escreve.

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