Livres para sempre.

"O mundo e a sua cobiça passam, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre".1 João 2:17

“O mundo e a sua cobiça passam”

Os desejos inflamados se esvanecem, a vida vai diminuindo, até que como água no deserto se evapora. Não que o pecador deixa de cobiçar, mas chega um momento que nada mais poderá ser cobiçado, a morte chegou.

Cada um de nós constrói o seu próprio mundo, e como disse Jesus, são os fundamentos dessa construção que dirão até que ponto ela pode prevalecer, “os tolos constroem suas casas sobre areia, os sábios sobre a rocha”.

Quem fundamenta sua existência apenas nos desejos do corpo, termina por ser surpreendido ao perceber que tais desejos se acumulam e nunca parecem ser saciados, uma cobiça chama outra em um processo que não encontra limites, trazendo a infelicidade e a insatisfação.

É a maneira com a qual devemos lidar com o mundo e com a cobiça da carne que devemos analisar. Há um contraponto aqui. O mundo passa, mas “Aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre”.

O que vemos é um chamado para uma vida que possa ser vivida eternamente, tal vida nos dará a condição de:

Não sermos escravos ou dependentes de nossos desejos carnais;

Precisamos dos desejos, mas não podemos ser escravizados por eles.

Para muitos é impossível tal liberdade, na idade média era comum o ódio dos monges contra seus próprios corpos que viam como principal via de acesso aos pecados. Desvencilhar sentidos de desejos não parece ser tão fácil assim.

No entanto é bom que consideremos de onde partem todos os nossos desejos, onde eles são realmente inflamados “Pois do coração saem os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as imoralidades sexuais, os roubos, os falsos testemunhos e as calúnias.”(Mateus 15:19)

Nosso corpo seria então apenas uma resposta ao que nosso condicionamento mental estabeleceu, segundo Jesus, agimos conforme pensamos. Isso significa que devemos vigiar nossos pensamentos se quisermos controlar nossos corpos (instintos).

Permitir que nossos pensamentos sejam livres nos levarão sempre para a escravidão do pecado, nossa mente é caída, longe de Deus, ela precisa de uma renovação constante, de uma comunhão que nos faça pensar nas coisas do alto (Cl 3.2).

Nossa mente livre de qualquer vigilância nos tornará cada vez mais endurecidos para a voz de Deus e abertos para o mal.

Somos vitimas de nossa indiferença com nosso próprio pensar, deixamos que o mundo molde nossa mente livremente, sem questionarmos aceitamos e nos submetemos ao mundo que “Jaz no maligno”.

Jesus nos disse “Vigia e ora”, a atenção que devemos dar ao que nos cerca é fundamental para que não venhamos a cair em tentação.

Jesus nos chama para a liberdade, ele nos disse que esta viria pelo conhecimento da verdade. A Verdade é que somos pecadores em essência e Deus deseja transformar essa essência, tirar-nos do estado de morte para a vida. Ele nos faz isso enviando-nos Jesus, é acolhendo-o em nossos corações que teremos finalmente a vida.

O Cristo em nós acolhido é quem muda nossa perspectiva diante do mundo, dando-nos Ele mesmo o desejo por santidade.

A obediência é uma aliança que fazemos entre o nosso desejo e o de Deus, o Senhor deseja nossa santidade, nós precisamos deseja-la também. Ao contrário do que muitos pensam, santidade é sinônimo de liberdade.   

Conciliarmos o corpo com uma mente restaurada;

Muitos consideram impossível uma conciliação de pureza entre alma e corpo, principalmente baseados na fala de Paulo: “Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo. Ora, se faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim. Assim, encontro esta lei que atua em mim: Quando quero fazer o bem, o mal está junto a mim.” (Romanos 7:19-21)

No entanto sabemos que conforme purificamos nossos pensamentos passamos a agir de igual modo. Portanto essa conciliação entre mente e corpo não é coisa de esoterismo, é na verdade equilíbrio entre pensar e ser.Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Alimpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai os corações.” (Tiago 4:8)

Toda hipocrisia parte desse desequilíbrio, pensar e não agir conforme pensamos, ou agir de um modo diferente do que realmente pensamos. Vejamos:

Pensar e não agir conforme pensamos
“Quem sabe que deve fazer o bem e não o faz, comete pecado.”(Tiago 4:17) É o pecado da negligência.

Agir de um modo diferente do que realmente pensamos.

Agir com características de santidade, mas com a mente longe disso, faz com que tal santidade seja apenas exibicionismo. Percebam como Jesus identifica isso: "Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês dão o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, mas têm negligenciado os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade. 
Vocês devem praticar estas coisas, sem omitir aquelas.” (Mateus 23:23)

A palavra integridade vem de “Inteiro”, é isso que precisamos ser, pessoas que não fazem diferença entre o que pensam e fazem.

Que tipo de coração agrada a Deus? Que tipo de oração ele ouve? Aquela que procede de uma pessoa sincera, em pensamentos e atos. “Os sacrifícios que agradam a Deus são um espírito quebrantado; um coração quebrantado e contrito, ó Deus, não desprezarás”. (Salmos 51:17)

“Pois assim diz o Alto e Sublime, que vive para sempre, e cujo nome é santo: "Habito num lugar alto e santo, mas habito também com o contrito e humilde de espírito, para dar novo ânimo ao espírito do humilde e novo alento ao coração do contrito”. (Isaías 57:15)

Acredite que é possível ser sincero, integro, para tanto viva com humildade.

Entendermos a vida como sagrada em todas as suas nuances.

É muito comum para muito haver uma distinção clara entre ambientes ditos sagrados e profanos. No entanto nosso Senhor Jesus Cristo quando esteve entre nós, mostrou-nos que tudo se torna sagrado pela forma com que o experimentamos.

Sacralizar determinados ambientes e demonizar outros, significa acreditar que o mundo pertence ao Diabo tanto quanto a Deus.

Menosprezar as mínimas coisas da vida como se nestas Deus não se fizesse manifesto, é uma forma de desprezá-lo, dar as costas para Ele.

Aprenda meu irmão a entender a sacralidade de cada momento, a presença divina nas mínimas coisas. No abraço do filho, no beijo da esposa, no sono depois do almoço, no futebol com os amigos, na conversa com a melhor amiga, no afago da mãe, no cheiro da vó. Tudo isso é movido pelo próprio Deus, portanto, é sagrado.

Deus quer nossa interação com toda a realidade que nos cerca, o Senhor deseja que a vejamos com bons olhos: “A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz;” (Mateus 6:22)


Vivamos no presente mundo confiantes de que Deus está presente e que tem nos abençoado dia após dia com o presente da vida.
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Sobre Eduardo Cruz

Não sou bem um escritor, sou um pastor que escreve.

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