O perigo de dormirmos o sono da indiferença.

“Então foram para um lugar chamado Getsêmani, e Jesus disse aos seus discípulos: "Sentem-se aqui enquanto vou orar".
Levou consigo Pedro, Tiago e João, e começou a ficar aflito e angustiado.
E lhes disse: "A minha alma está profundamente triste, numa tristeza mortal. Fiquem aqui e vigiem".
Indo um pouco mais adiante, prostrou-se e orava para que, se possível, fosse afastada dele aquela hora.
E dizia: "Aba, Pai, tudo te é possível. Afasta de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, mas sim o que tu queres".
Então, voltou aos seus discípulos e os encontrou dormindo. "Simão", disse ele a Pedro, "você está dormindo? Não pôde vigiar nem por uma hora?”
(Marcos 14:32-37)
“Você está dormindo?”, a pergunta de Jesus a Pedro é muito pertinente, convidado para estar com o Mestre em um momento de grande tensão e angústia, o discípulo mais ousado e impetuoso parece não perceber que a situação exigia sua vigilância. Antes ele já havia demonstrado que a ideia de que Jesus pudesse ser morto por seus opositores não era algo concebível em sua mente, embora o mestre houvesse deixado isso tão claro (Mt 16.21,22).

Assim como Pedro há coisas que não queremos aceitar mesmo elas tendo sido ditas pelo próprio Jesus, formatamos um tipo de religiosidade que atende nossos anseios e não nos cobra nenhum tipo de anulação de nossa vontade ou exige de nós um comprometimento diante daquilo que rejeitamos. Se a vontade de Pedro era que Cristo reinasse e prevalecesse sobre seus inimigos, ele não iria, é lógico, se envolver emocionalmente em uma situação que ele achava absurda acontecer. Pedro se vale de seu pseudoconhecimento de quem seja o Cristo, sua crença o faz condicionar a atuação deste dentro dos parâmetros aceitáveis para aquilo que entende ser um Messias.

Talvez corramos o sério risco de nos comportarmos como Pedro, e sermos encontrados dormindo quando nos é requerida a prontidão. O momento que se chama hoje exige nossa fé nas Escrituras tal qual elas se pronunciam e não como nós desejamos que elas se pronunciem. Lembro-me de ouvir certa vez o testemunho de um homem de Deus, trata-se e do famoso missionário da Missão Portas Abertas, Irmão André, ele disse  que, o que determinou uma mudança radical na sua relação com Deus foi ter tomado a decisão de “Seguir as Escrituras mesmo que isso lhe custasse a própria vida”. E de certa forma obedecer a Palavra de Deus tal qual ela é, custa exatamente isso, a nossa vida. Quando digo “ou faço a minha vontade ou a de Deus”, isso corresponde a dizer “Lerei a Bíblia conforme meus sentimentos,  desejos e conceitos, ou abrirei mão de tudo isso para viver a partir do que ela me propõe?”.

Dormimos quando não conseguimos perceber o que a situação exige de nós, por termos feito uma leitura dos fatos pelos nossos olhos carnais não deixando que o espirito de submissão nos fizesse atentar para o que Deus deseja realmente de nós.

O Senhor quer que nos mantenhamos acordados espiritualmente falando, para tanto, é preciso dar ouvidos ao que Ele diz, crendo que é assim exatamente como Ele diz, é total insensatez tentarmos minimizar ou menosprezar o que nos foi dito, afinal, Ele é o que é, e não o que desejamos que Ele seja. Ouçamos a voz de Jesus que nos diz “Vigiai”.

   
Share on Google Plus

Sobre João Eduardo Cruz

Não sou bem um escritor, sou um pastor que escreve.

0 comentários:

Postar um comentário