É muita vida pra tão poucas palavras.


Um escritor é um pintor de quadros da vida que ao invés de tinta usa palavras sobre a tela, e sempre que penso nisso lembro do que disse C.S. Lewis "A vida é muito profunda para ser descrita em palavras, portanto não tente descrevê-la, apenas viva".


Percebo muitas vezes que vivo nessa insistente tentativa de descrever a vida, seja como teólogo (numa busca de absorver e reproduzir a revelação de Deus que me é concedida pelas Escrituras Sagradas) seja como poeta (tentando dar sentimento ao que nem sempre faz sentido), seja como pastor (usando a escrita e a oratória para direcionar o rebanho pelo Caminho). Seja como for, tudo isto é fruto de uma reflexão e observação silenciosa de tudo que me cerca, me inquieta, me incomoda, me oprime, me torna vivo.

O que tenho percebido é que mesmo que tivesse toda uma eternidade para descrever a existência terrena, não me seria suficiente, por vezes a vida não pode ser descrita porque nos emudece, falta-nos substantivos para descrevê-la e os verbos parecem insuficientes para expressar o que sentimos.

Chego a conclusão de que escrever é descrever em parte um todo tão imenso que é preciso aceitarmos humildemente que nada poderá ser dito e definido, a vida é grande demais pra caber em tão poucas palavras que ainda possamos dizer aqui.

Uma das escritoras mais detalhistas que já tive a oportunidade de ler foi Virginia Woolf, ela conseguia descrever minunciosamente cenas que qualquer um de nós resumiria em um ou dois parágrafos, mas que para ela rendiam páginas. Ela nos colocava dentro do ambiente da narração. Nos textos de Virginia Woolf o quadro da vida era pintado à semelhança dos detalhes de uma obra clássica de Pieter Bruegel, o Velho, artista cujos quadros representam cenas com tamanha riqueza de detalhes que podemos passar horas observando.

Se descrever essa vida - que por vezes parece tão pequena - pode ser exaustivo para nós, o que dizer da descrição da vida eterna?
Jesus não pôde também nos dizer tudo, afinal o infinito não cabe no tempo. Mas tem algo interessante sobre a visão de eternidade que um dia teremos, lá um só olhar nos basta, nossos olhos repousarão em Cristo, contemplar sua glória será para nós a unica descrição que nos basta para a vida que nos restou, confesso que anseio pela graça de descrever tais sentimentos, mesmo que saiba que todos quanto ali estiverem, creio, sentirão o mesmo.Ver mais
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Sobre João Eduardo Cruz

Não sou bem um escritor, sou um pastor que escreve.

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