Santidade pra quê?


“E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e não há nele trevas nenhumas”. (1 João 1:5)

Santidade é uma decisão, a de viver à semelhança de Jesus, em comunhão plena com o Pai. É uma simbiose.

O pecado não interessava a Jesus porque todo o seu prazer estava no Pai.

Até mesmo sua comida e bebida, dizia Ele, era fazer a vontade do Pai, ou seja, era o seu verdadeiro sustento (João 4.34).

Nosso desafio é encontrar esse mesmo prazer que Jesus tinha no Pai.

Porque ser santo? Porque não há como se relacionar com o um Deus Santo sem o desejo por santidade. A comunhão com Ele se estabelece por isso. Vejamos o que diz o teólogo J.I. Packer:

“Quando João diz que Deus é “luz”, não havendo nele treva alguma, a imagem está afirmando a santa pureza de Deus, o que torna impossível a comunhão entre Ele e o profano intencional, e requer a busca da santidade e retidão de vida como objetivo central do povo cristão (l Jo 1.5-2.1; 2 Co 6.14-7; Hb 12.10-17). A convocação dos crentes, regenerados e perdoados que são, a praticarem uma santidade que se equipare a própria santidade de Deus, e desta forma agradando a Ele, é constante no Novo Testamento, como certamente o foi no Velho Testamento (Dt 30.1-10; Ef 4.1-5.14; 1 Pe 1.13.22). Porque Deus é santo, o povo de Deus deve também ser santo”.

Santidade requer:

Vida de confissão e arrependimento

“Esta é a mensagem que dele ouvimos e transmitimos a vocês: Deus é luz; nele não há treva alguma. Se afirmarmos que temos comunhão com ele, mas andamos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Se, porém, andamos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado.Se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça. Se afirmarmos que não temos cometido pecado, fazemos de Deus um mentiroso, e a sua palavra não está em nós”. 1 João 1:5-10

“Meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem. Se, porém, alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1 João 2:1)

A vida não é estática, somos seres emocionais, sujeitos a variação de sentimentos. Levados por circunstâncias que tendem muitas vezes a nos entristecer, esfriar o nosso vigor, desmotivar, além da possibilidade constante e real de sermos seduzidos pelas fantasias que nos cercam e que podem nos atrair levando-nos ao pecado e para longe de Deus.

O Cristianismo é pautado por confissão e arrependimento. O próprio culto, a celebração que realizamos ao nosso Deus exige de nós em cada encontro “Confissão e arrependimento”. As leituras bíblicas estão impregnadas dessa ideia. Os cânticos – se naturalmente forem bíblicos – também serão assim. Algumas liturgias de igrejas orientais são todas pautadas em “Confissão e arrependimento”. Porque isso? Porque Deus reconhece nossa humanidade caída e nossas fraquezas em decorrência dela. O arrependimento é um direito que nos foi outorgado por Jesus na cruz do calvário, o perdão que ecoa de lá vale para toda a vida.

Essa confissão seguida do arrependimento que a Palavra de Deus nos exige é pré requisito básico para que a santidade seja restaurada ou mantida, para que assim possamos desfrutar da comunhão com o nosso Senhor. Pois é através dessa comunhão que as promessas de vida em abundância recheada de paz, alegria e amor se confirmam em nós.

Portanto a Confissão e o arrependimento são dois imãs que nos trazem de volta para Deus depois que pecamos, e esta possibilidade nos foi dada pela graça de Deus manifestada na morte e ressurreição de Jesus que perdoou de uma vez por todas todos os nossos pecados, para que onde nos encontrarmos em estado de culpa, encontremos também a possibilidade do perdão gratuito de Deus sempre à nossa disposição nos dando assim a contínua restauração.

O que confessamos e do que nos arrependemos?
Se examinarmos com cuidado iremos perceber que, o pecado é toda atitude que se opõe a vida. Portanto, o que confessamos é a nossa indiferença diante de Deus, nos arrependemos de não tê-lo honrado com nossas vidas.

Aquele que tudo criou o fez para que pudéssemos experimentar do seu prazer naquilo que criou. Todas as vezes que nos mostramos indiferentes a essa criação – isto inclui a indiferença em relação às nossas próprias vidas e a do próximo – isto nos separa dele, a isso chamamos pecado.

Jesus veio nos reconciliar com o Pai e com a vida. A comunhão com Deus equivale à reconciliação e celebração da vida que Ele nos deu. Daí podemos entender a morte sendo vencida na cruz e a ressurreição nos mostrando o triunfo de Jesus, é esta a mesma experiência que nos cabe. Vivemos como ressuscitados, cheios de uma vida que não será detida pela morte.

A santidade portanto é uma forma de viver a vida que em Cristo é reconhecidamente abundante e transbordante de graça, amor e misericórdia.

Qualquer forma de menosprezar ou desprezar essa vida corresponde ao pecado. Foi assim quando tudo começou, Adão e Eva deram as costas para a vida que lhes foi concedida e a humanidade passou à buscar incessantemente encontrá-la.

Não compactuar com o mal
“Não se ponham em jugo desigual com descrentes. Pois o que têm em comum a justiça e a maldade? Ou que comunhão pode ter a luz com as trevas? Que harmonia entre Cristo e Belial? Que há de comum entre o crente e o descrente? Que acordo há entre o templo de Deus e os ídolos? Pois somos santuário do Deus vivo. Como disse Deus: “Habitarei com eles e entre eles andarei; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo”. Portanto, “saiam do meio deles e separem-se”, diz o Senhor. “Não toquem em coisas impuras, e eu os receberei” “e lhes serei Pai, e vocês serão meus filhos e minhas filhas”, diz o Senhor Todo-poderoso” (2 Coríntios 6:14-18)

Ao nos depararmos com este texto no principio, pensamos ser uma proposta preconceituosa e que até não condiz com a postura de Cristo enquanto esteve na terra. Visto que o Mestre se misturava aos pecadores e até comia com eles.

Mas a questão é que confundimos conviver com pessoas más e compactuarmos com os seus atos. O que o texto nos diz aqui é que quem quiser manter a sua santidade não pode de maneira alguma aceitar as ações ruins daqueles que nos cercam ou mesmo concordar com elas.

A associação com o mal representa total dissociação com Deus. Deus é luz, nele não há comunhão alguma com as trevas. O mal tende à minar a vida de quem executa e de quem sofre a maldade. O mal é o posto do bem que tende a fazer com que a vida se expanda.

Não somos atraídos pelo mal que se mostra claramente, mas pelo mal que parece bem.

Nossa sociedade tenta abolir o que é certo e errado. Isto passa a ter um julgamento pessoal. Cada um vive da maneira que mais lhe agrada mesmo que isso desagrade aos demais. Ainda é chamado de crime determinadas agressões ao próximo, mas tornou-se uma variante de caso pra caso.

Assim a associação com o mal se tornou muito sutil. A mídia colabora muito com isto, jovens cristãos dão audiência para programas de TV que exaltam a promiscuidade fazendo assim com que suas mentes se contaminem ao mesmo tempo em que mostram aprovar tais coisas; São consumistas compulsivos deixando de muitas vezes amparar os necessitados ou colaborar com a propagação do Reino; Aliam-se a partido políticos e demonstram uma fidelidade absoluta mesmo percebendo os erros do mesmo; Jovens e adolescentes escutam musicas que denigrem a imagem de Deus, ou incitam à violência, ao uso das drogas, a sexualidade pervertida. E a tudo isso e muito mais dizem “Mas não tem nada demais”, chamam o mal de bem e vivem tranquilamente associados a ele, longe de conhecer o prazer da verdadeira comunhão com Deus.

É o mal que nos tira a vida, compactuarmos com o mesmo é puro suicídio existencial.

Sujeitos à disciplina do Senhor

O que Deus faz diante de nossa possibilidade de nos submeter ao mal, nos castiga? Não podemos chamar de castigo o que nos conserta e atrai para junto do Pai. Veja o que diz o autor do livro de Hebreus:

“E já vos esquecestes da exortação que argumenta convosco como filhos: Filho meu, não desprezes a correção do Senhor, E não desmaies quando por ele fores repreendido; Porque o Senhor corrige o que ama, E açoita a qualquer que recebe por filho. Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija? Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois então bastardos, e não filhos. Além do que, tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem, e nós os reverenciamos; não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos? Porque aqueles, na verdade, por um pouco de tempo, nos corrigiam como bem lhes parecia; mas este, para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade. E, na verdade, toda a correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela. Portanto, tornai a levantar as mãos cansadas, e os joelhos desconjuntados, E fazei veredas direitas para os vossos pés, para que o que manqueja não se desvie inteiramente, antes seja sarado. Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor; Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem” (Hebreus 12:5-15)

Um Deus que ama chama a nossa atenção para si e atraí-nos para o seu amor.

O Senhor não apenas deseja nos dar a vida mais nos manter na experiência constante de estarmos vivos. Para isso é importante que nossos jovens morram para os conceitos comportamentais mundanos e passe à observar a vida com o olhos de quem conhece a verdade, a única que liberta e que foi manifestada na vida santa de nosso Senhor Jesus Cristo.
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Sobre João Eduardo Cruz

Não sou bem um escritor, sou um pastor que escreve.

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